Dor lombar e seu tratamento através da Osteopatia

A prevalência de dor crônica estimada na população geral varia de 11,5% a 55,2%, porém segundo a International Association for the Study of Pain (IASP), a prevalência média é de 35%01.

 

 

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a dor lombar é uma das maiores causas de afastamento de indivíduos de suas atividades laborais, e a prevalência de algias na coluna vertebral constitui um problema agravante, pois atinge grande parte da população mundial, resultando em um percentual total de 60 a 80% de pessoas que têm ou terão dor na coluna vertebral02. Estudos afirmam que em alguma fase da vida 70 a 85 % de todas as pessoas do mundo sofreram um episódio de dor lombar03. No Brasil a disponibilidade de fontes de dados epidemiológicos relativos à doença de coluna proveniente de inquéritos nacionais é escassa, porém, um estudo feito em nosso país demonstra que dez milhões de indivíduos ficam incapacitados por causa dessa morbidade, outro estudo afirma que a dor crônica é a principal causa de procura por atendimento em ambulatórios, e ainda outro estudo analisou 3.182 pacientes, no sul do Brasil, e mostrou que, a dor crônica mais frequente é a dor lombar 04,05.

       

Dentre as abordagens que se mostram efetivas no tratamento da dor lombar encontra-se o tratamento manipulativo osteopático (TMO). Ele é um sistema diagnóstico e terapêutico palpatório de bloqueios tissulares em geral, e articulares, em particular, igualmente chamadas lesões ou disfunções osteopáticas, utilizando para os tratamentos manipulações adequadas a cada tipo de tecido envolvido. Dentro da visão osteopática, é o raciocínio clínico que permite fazer a ligação entre essas observações das disfunções e a patologia funcional apresentada pelo paciente06.

         

Em 2002, a Organização Mundial de Saúde, (OMS), publicou a primeira estratégia global sobre medicina tradicional, complementar e alternativa (CAM). A OMS procurou dar a esse grupo de medicinas uma definição ampla e inclusiva, definindo a medicina tradicional (MT) como “práticas, enfoques, conhecimentos e crenças sanitárias diversas que incorporam medicinas baseadas em plantas, animais e/ou minerais, terapias espirituais, técnicas manuais e exercícios aplicados de forma individual ou em combinação para manter o bem-estar, tratar, diagnosticar e prevenir as enfermidades” 07. Como a homeopatia e os sistemas osteopático e quiroprático se desenvolveram nos EUA e Europa, a partir do século XIX, paralelamente à introdução da medicina alopática, eles não estão classificados como sistemas de medicina tradicional, sendo qualificados como medicina complementar alternativa (MCA).  A estratégia da OMS visa estimular os países membros no sentido de que formulem políticas no sentido de integrar as MT/MCA aos sistemas de saúde nacionais.

 

Em face desses desafios, a OMS propôs sua estratégia apoiada em quatro pilares:

 

1. Política: Integrar as MT / MCA nos sistemas de saúde nacionais, quando seja apropriado;

 

2. Segurança, Eficácia e Qualidade: Ampliar o conhecimento sobre as MT/ MCA, e a sua base de evidências, e fomentar a orientação sobre pautas normativas e de controle de qualidade;

 

3. Acesso: Aumentar a disponibilidade e acessibilidade da MT/MCA, segundo seja apropriado, com ênfase no acesso para as populações pobres;

 

4. Uso Racional: Capacitar tanto os provedores de MT/MCA para fazer uso correto da mesma quanto os consumidores, para tomar decisões quanto ao uso correto das mesmas. A cooperação entre médicos alopatas e praticantes de MT/MCA foi sugerida, tanto no sentido de incluir na formação dos médicos alopatas informações sobre o enfoque holístico da MT/MCA, quanto no sentido de fornecer aos seus praticantes conhecimentos sobre procedimentos sanitários que lhes permitissem, por exemplo, prestar cuidados básicos em áreas carentes.

 

Revisões sistemáticas e outros estudos, em que seus autores relatam a grande quantidade de indivíduos acometidos por lombalgia no mundo, descrevem o tratamento manipulativo osteopático (TMO) como positivo no tratamento de quadros álgicos lombares crônicos.

 

No estudo feito por Galukande et al.08(2005), que é citado entre outros a seguir, relacionam-se as causas prováveis de dor lombar. Dessas 17,2%   apresentavam  as degenerações na coluna vertebral  como a possível causa.

     

Orrock & Myers09(2013) relataram que os resultados de um estudo piloto de 342 práticas osteopáticas no Reino Unido recolheu dados sobre 1630 pacientes. Esses estudos demonstraram que a dor localizada na parte inferior das costas foi o sintoma mais comum (36%), dos pacientes que apresentaram dor crônica.

       

Seffinger10(2010) concluiu que o tratamento manipulativo osteopático reduz significativamente a dor lombar. O nível de redução da dor é clinicamente importante, e pode persistir até o primeiro ano de tratamento.

      

  Cerritelli11(2013) citou que Licciardone et al. realizaram uma revisão sistemática e meta-análise quanto à aplicação da TMO sobre a dor lombar, mostrando um tamanho de efeito de intervalo de confiança -0.30 (95%: -0,47, -0,13; p = 0,001), demonstrando claramente uma redução significativa da dor lombar  após o TMO.

      

   Clark et al12(2011) relataram que na última década, tem havido crescentes provas científicas que sustentam a eficácia clínica de terapias manuais no tratamento da dor lombar.

  

      Zegarra et al13 (2011) relataram que para pacientes NS-LBP em particular, Degenhardt et al (2007), observaram uma diminuição dos marcadores sanguíneos de dor associada com uma diminuição do nível de tensão descrito pelos pacientes 24 horas após receber TMO. Relataram também, que os resultados gerais mostraram uma redução estatisticamente significativa na dor lombar em doentes tratados com TMO. Estratificadas meta-análises foram realizadas para controlar variáveis moderadoras, e isso mostrou que TMO reduziu significativamente a dor lombar versus tratamento controle ativo / placebo e versus nenhum controle de tratamento.

        Fryer et al.14(2014) relataram que foram encontrados efeitos clinicamente relevantes da TMO para reduzir a dor e melhorar o estado funcional dos  pacientes com dor lombar não específica aguda e crônica e dor lombar em mulheres grávidas e puérperas em 3 meses pós tratamento.

      

  Galukande et al.08(2005) relacionam as causas prováveis da dor lombar entre os pacientes da clínica ortopédica do hospital de Mulago, Uganda. Dos 204 indivíduos avaliados, constatou-se que 62,3% apresentavam lombalgia, 19,1% apresentavam compressão da raiz do nervo devido à prolapso do disco intervertebral, 17,2 % apresentavam degenerações na coluna vertebral e em 1,5% não foi possível determinar a causa.

       

Andersson15(1999) estima que aproximadamente dois terços da população mundial adulta já apresentou dor na coluna em algum momento da vida.

    

    Frank16(1993) relata que nos Estados Unidos a dor na coluna é a segunda causa de procura por assistência médica e a terceira causa mais comum de procedimentos cirúrgicos. Nos países do Reino Unido, estima-se que entre os anos de 1988 e 1999, o problema de coluna tenha sido a maior causa de absenteísmo ao trabalho, representando 12,5% entre todas as doenças.

       

Karahan et al.17(2009) em estudo re­alizado na Turquia, em 2008, envolvendo 1.600 trabalhadores de hospitais, mostrou que 65,8% deles tinham dor lombar, principalmente os profissionais da saúde.

       

Garg18(1992) descreve a lombalgia como muito comum na área da produção nas in­dústrias.

       

 Cozzensa et al.05(2004) relatam  que no Brasil, a dor cônica é a principal causa de procura por atendimento em ambulatórios. Estudo que analisou 3.182 pacientes, no sul do país, mostrou que, a dor crônica mais frequente é a dor lombar.

       

Kreling et al.19(2006) numa avaliação que envolveu 505 funcionários de uma uni­versidade do Paraná, verificou-se que 61,4% das mulheres tinham dor crônica, principalmente cefaléia, lombal­gia e dor em membros inferiores.

      

 Almeida et al.20(2008) relatam outro estu­do realizado na Bahia, que incluiu 2.297 pessoas, evi­denciaram que a dor lombar estava presente em 14,7% das pessoas com escolaridade baixa e tabagistas.

       

Machado et al.21(2006) ao final de sua  pesquisa confirmaram que a terapia manual e cinesioterapia são necessárias na reabilitação dos pacientes com lombalgia crônica e apresentam-se eficientes no tratamento da dor lombar, diminuição da incapacidade e melhora da qualidade de vida desses pacientes.

 

Referências Bibliográficas

 

 

01- Harstall C., Ospina M. How prevalent is chronic pain? J. Pain IASP, 2003.

 

02- Garcia Filho, Reinaldo Jesus, et. al: Ensaio clínico randomizado. Acta ortopédica brasileira. São Paulo, 2006.

 

03- Ferreira, Cleon Foletto. Estudo epidemiológico sobre os fatores de risco das algias de coluna vertebral. Disponível em: <HTTP:wwwgate.com.br/conteúdo/medicinaesaude/fisioterapia/reumatorisco.htm

 

04- Teixeira et al . Prevalência de lombalgias em transportadores de sacos de café. Acta ortopédica brasileira: (2007), Rio Claro, 2006.

 

05-Cozzensa S.M., Gastal F.A., Jorge V.N.C. Dor lombar crônica em uma população adulta do sul do Brasil: Prevalência e fatores associados. Caderno de saúde pública, 2004.

 

06-  Quef , Bernard e Pailhous, Philippe – Osteopatia – Guanabara Koogan S.A.,  2003.

 

07- Leite, F e Gomes, J. Dor crônica em Ambulatório Universitário de Fisioterapia, Ver. Cienc. Méd., Campinas 15(3) 211-221, Maio/Junho, 2006.

 

08- Galukande M., Muwazi S., Mugiza D.B. Aetiology of low back pain in Mulago hospital, Uganda. African health sciences; 2005 June.

 

09 - Orrock, P.J.; Myers, S.P.; Osteopathic intervention in chronic non-specific low back pain: a systematic review. BMC Musculoskelet Disord 2013:14:129.

 

10- Seffinger, M.A. et. Al, Americam Osteopathic Association Guidelines for Osteopathic Manipulative Treatment (OMT) for Patients With Low Back Pain. J Am  Osteopath Assoc. 2010; 110(11):653-666

 

11 - Cerritelli F.. The recognition of osteopathic manipulative medicine in Europe: Critically important or significantly overrated? OA Evidence-Based Medicine, May 2013.

 

12- Clark Brian C., Goss David A. JR, Walkowski Stevan, Hoffman Richard L., Ross Andrew, Thomas James S.. Neurophysiologic effects of spinal manipulation  in patients whit chronic low back pain. BMC Musculoskeletal Disorders. 2011.

 

13- Zegarra-Parodi R., Draper-Rodi J.. Fabre Laurent, Bardin Julien e Allamand Pauline. EBM in Clinical Practice : Implementation in osteopathic diagnosis and manipulative treatment for non-specific low back pain patients. Evidence based medicine – closer to patients or scientists? 2011.

 

14- Fryer, Gary; Helge, Franke. Tratamento manipulativo osteopático e dor lombar não específica: Uma revisão sistemática e meta-análise. BMC Musculoskeletal .2014, 15: 286 http://www.biomedcentral.com/1471-2474/15/286.

 

15- Andersson,G.B. Epidemiological features of chronic low-back pain. The lancet, 1999.

 

16- Frank A. Low back pain. BMJ, 1993.

 

17- Karahan A., Kav S., Abbasoglu A., et al. Low back pain: Prevalence and associated risk factors among hos­pital staff. J. Adv. Nurs, 2009.

 

18- Garg A., Moore J.S. Epidemiology of low-back pain in industry. Occup. Med., 1992.

19- Kreling M.C.G.D., Cruz D.A.L.M., Pimenta C.A.M. Pre­valência de dor crônica em adultos. Revista brasileira de enfermagem, 2006.

 

20- Almeida I.C.G.B., Sa K.N., Silva M., et al. Prevalência de dor lombar crônica na população da cidade de Salvador. Revista brasileira de ortopedia , 2008.

 

21- Machado, L. F.; Góis, R. M.; Rocha, N. S. Tratamento da lombalgia crônica através de técnicas de alta velocidade e baixa amplitude: Uma revisão bibliográfica 2006. www.inicepg.univap.br/cd/INIC_2006/epg/03/EPG00000132-ok.pdf

 

 

Carlos Alberto Gomes do Nascimento

Carlosg.nascimento@gmail.com

Tel:21-998571509

 

  • Licenciatura plena em Educação Física - Universidade Gama Filho.

  • Pós - graduação Lato sensu em Voleibol - Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

  • Fisioterapia: Instituto Brasileiro de Medicina de Reabilitação - IBMR

  • Osteopata D.O. - Instituto Brasileiro de Osteopatia W. G. Sutherland.

  • Pós - graduação em Osteopatia Músculo- esquelética. UNIGRANRIO.

  • Preparador físico das categorias de base da Confederação Brasileira de Voleibol de 1992 a 1997.

  • Professor de voleibol da FAETEC Cetep - Niteroi de 1998 a 2017 ensino fundamental e ensino médio.

  • Preparador físico da Seleção Brasileira Adulta de Voleibol feminino nos períodos de Abril a Novembro de 2001, Abril a Agosto de 2002 e de Abril a Julho de 2003.

  • Fisioterapeuta da Seleção Brasileira de Voleibol Adulta Feminina nos períodos de Abril a Agosto de 2002 e de Abril a Julho de 2003.​

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